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“Damásio e Yuri da Cunha não são ‘fobados’ graças à bajulação ao poder”, denuncia Salú Gonçalves

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O jornalista e apresentador de eventos culturais revelou os meandros da música angolana, a forma como olha para o País na época contemporânea e explica que tem acesso aos cachês dos músicos

Segundo avança o site angolano de cultura Marimba Selutu, estas declarações foram proferidas na última quinta-feira, 28, durante uma entrevista ao programa Conexões, apresentado por Delvechio, da Rádio Mais, emissora do grupo Media Nova, em Luanda.

Segundo o apresentador do Fala Angola, da Tv Zimbo, os jornalistas deviam ter melhores salários para evitar o surgimento de artistas que afirmam que os jornalistas são ‘fobados’. “Mas, eles (os artistas) também são ‘fobados’, particularmente esses dois [Matias Damásio e Yuri da Cunha]. Se não são ‘fobados’, foi graças à bajulação e por se terem encostado à pessoas do poder, naltura em que ganharam dinheiro”, denunciou Salú Gonçalves, desafiando Damásio e Yuri da Cunha a mostrarem e declararem os seus verdadeiros rendimentos, para sabermos se são ou não ricos.

Jornalista Salu Gonçalves conduz actualmente o programa Fala Angola, com maior audiência no país
(DR)

Para sustentar a sua denúncia, o antigo jornalista da Rádio Nacional de Angola (RNA) apontou o músico Anselmo Ralph como o único artista que provavelmente ganha dinheiro com a sua carreira e com os seus negócios.

“Eu quero que um outro qualquer (artista) me diga que ficou rico porque vendeu milhões de discos e que o espectáculo possibilitou-lhes ganhar milhões. Eu direi que é mentira! Porque, temos acesso aos cachês que os artistas ganham e que o estrangeiro, para os artistas angolanos, é só em Portugal. É aqui, em Angola, onde ganhavam milhares de dólares e hoje continuam a ganhar muito menos”, sustentou o actual apresentador mais destacado da televisão privada do País, recordando que a RNA, estação que trabalhou ao longos dos mais de 30 anos, ajudou vários artistas que apresentavam problemas de falta de recursos financeiros para tratar a saúde ou falta de espectáculos, motivados pela ausência de promoção.

Questionado se sente alguma mágoa em relação ao comportamento de Matias Damásio, depois das afrontas durante o primeiro concerto no Show do Mês, dirigido pelo promotor Yuri Simão, o apresentador oficial dos concertos da Nova Energia fez saber que não tem qualquer ressentimento.

“Estou absolutamente tranquilo porque tudo o que me vem à memória, de um ser que faz coisas as quais já denunciei no ‘Dicas e Dicas’, não merece outro sentimento senão o de pena”, reforçou, adiantando que não coloca de lado a hipótese de uma reconciliação.

Em relação ao amor, o jornalista vai mais longe e afirma: “uma pessoa que diz que só começou a sentir amor pelo próprio pai aos 23 anos, porque nessa idade começou a ganhar algum dinheiro, é uma pena. Eu sinto orgulho do meu pai desde que começo a conhecer aquela cara feia, a olhar para mim por meio de caretas e brincadeiras dele. Eu honro o meu pai porque me exigia ir à escola, porque ele amava-me acima de tudo. Eu não amo ele porque ganhei alguma dinheiro”, rematou.

SUSPENSÃO E NOVOS DESAFIOS

Durante a estreia no espaço “Entrevista Sem Maquiagem”, Salú Gonçalves revelou que chegou a ser suspenso por longos anos e obrigado a falar o que estivesse escrito, por comentar que tinha visto um certo ministro angolano a urinar na rua. “A única coisa que fala em directo era o meu nome e as horas. Ganhei muita experiência com aquele processo disciplinar”, explicou, sustentando que também tentou trabalhar para a Zap, apresentando um projecto ao Jorge Antunes, mas este negou o programa que viria a ser chamado de “EIA”.

“Quando me convidam para fazer aquele programa [na Zimbo] eu percebi que era o que eu desejava fazer. Eu quero dizer a verdade e dizer que Angola não é um país para se ter medo. Porém, para se ter coragem de avançar, deve-se ter medo de ser um corrupto, um corruptor ou um mau gestor. Mas, não se deve ter medo de dizer a verdade, de denunciar aquilo que as pessoas desejam ouvir”, finalizou o autor da célebre frase “comigo é assim, ou é ou não é!”.

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