Enchentes em bancos e multicaixas preocupa clientes

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Há semanas que os bancos comerciais na capital de Luanda registam enchentes nos seus balcões. Para não fugir à regra, os multicaixas apresentam o mesmo problema.

O Portal de Angola andou por algumas agências na tarde de quinta-feira, 02, e registou o facto. Na agência do Banco Bic, situada no Km 25 de Viana, por exemplo, registava-se um aglomerado de mais de 20 pessoas à espera de serem atendidas, com algumas na parte de fora da agência, à espera que o interior do banco esvaziasse.

Rafael Junior, cliente do mesmo banco, lamenta a situação e diz que esta situação só acontece em Angola. “É desesperante. Como é possível que esta gente que trabalha com o nosso dinheiro, sobrevive com o nosso dinheiro ainda se dão ao luxo de nos maltratar?”, questionou.

A falta de acento para acomodar os clientes, segundo Rafael, seria um gesto de boa-vontade dos bancos, para não dizer obrigatório.

“Colocar mais de vinte clientes debaixo do sol porque os trabalhadores foram almoçar é no mínimo repugnante, inaceitável, o mais hilariante é que alguns guardas fazem disso anedotas, ficam com arma em punho e vão nos perfilando como se fossemos alunos da iniciação”, observou.

Muitos são os cidadãos que se vêem agastados com a situação e obrigados a irem a outros bairros à procura de dinheiro ou fazer pagamento de serviços, como luz e televisão.

Teresa Gonga, morador do Distrito do Zango, município de Viana, disse ter procurado por um banco Sol sem enchente na tarde de ontem, mas não conseguiu. “Só encontrei na Zona Económica de Viana e tive que esperar por duas horas, imagine, duas horas para tirar 5 mil kwanzas”, murmurou.

Segundo a entrevistada, “Os bancos comerciais colocam valores reduzidos nos multicaixas, facto que provoca a presença de multidões a espera de oportunidade para retirar valores e suprir as suas necessidades”.

Por sua vez, Jerónimo Pedro, de 24 anos, foi abordado numa fila de multicaixa com mais de quarenta pessoas, isso na agência central do BFA, na Vila de Viana, e disse que se “encontrava já saturada no momento, e que só aguentava a fila porque precisava do dinheiro para comprar fármacos para sua filha”.

Nalguns casos, principalmente nos prenuncio de fim-de-semana, acrescentaram os entrevistados, as enchentes chegam mesmo a verificar-se até cerca das 22 horas.

Expatriados não ficam na fila

Segundo clientes de bancos comerciais, muitos cidadãos, principalmente os portugueses e chineses, não observam as regras de entrada e, assim que chegam aos bancos têm acesso facilitado.

“Há sempre um gestor ou gerente amigo desta gente. A pessoa fica horas a espera da vez e estes senhores são atendidos como se os dinheiros deles fosse diferente do nosso”, lamentaram.

Regulação do BNA

O Banco Nacional de Angola (BNA) publicou o instrutivo 03/2018, de 23 de Fevereiro, no qual orienta os operadores quanto à isenção de cobrança de comissões no âmbito dos serviços mínimos bancários, proibindo-as.

São considerados serviços mínimos bancários a abertura, manutenção e encerramento de conta de depósito à ordem, com excepção de contas que requeiram a atribuição de gestor.

Nos termos desse instrutivo, estão ainda isentos de comissões o processamento da prestação de crédito e de débitos directos, consulta de movimentos de conta através de Caixa Automático (ATM) e banca electrónica.

O BNA orienta ainda os bancos comerciais a isentar os clientes no acesso a um extracto por mês por cada conta e informação de consulta de movimentos de cada conta nos últimos 90 dias, através de banca electrónica.

Os bancos estão ainda orientados a emitir o primeiro cartão de débito e substituir o mesmo por caducidade para a movimentação de todos os tipos de conta.

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