Jonas Savimbi previa falhas de Abel Chivukuvuku

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O surgimento da “terceira via” na cena política angolana foi, para muitos, uma novidade, mas não o foi para o líder fundador da UNITA, Jonas Malheiro Savimbi, que nos últimos dias da sua vida, se referia à possibilidade de Abel Chivukuvuku criar uma formação política, facto que o incomodava. No entanto, não acreditava no sucesso de tais intentos.

Segundo avança o Jornal Visão, uma fonte próxima do maior partido da oposição, onde Chivukuvuku se fez um ‘animal’ político, durante duas décadas, disse a este Jornal que o “líder fundador”, não se sentia incomodado com o surgimento da UNITA Renovada, inspirada e dirigida por Eugénio Ngolo Manuvakola, mas sentia-se “quase incomodado” com o surgimento duma formação política que fosse criada por Abel.

Abel Chivukuvuku (DR)

Savimbi, explica a fonte, nunca desaproveitou os dotes políticos de Chivukuvuku, até porque chegou a coloca-lo como conselheiro para os negócios estrangeiros. Contudo, não via como um político capaz de dirigir um partido fora da UNITA, com vista fazer face ao MPLA.

“Chegou mesmo a ‘metaforizar’ tal ideia de seguinte maneira: Poderá, algum dia, criar um partido. Por causa de uma avaria temporária, quererá abandonar o barco da UNITA e criar o seu com o objectivo de competir com o MPLA. Mas quando a avaria for superada, o barco da UNITA retomará a sua marcha numa velocidade cruzeiro, e ele verá o barco do MPLA distante e o da UNITA a passar por ele, sem a possibilidade nem forças para voltar nele”, descreveu.

Apesar desse entendimento, Jonas Malheiro Savimbi, ciente das vantagens do então conselheiro para os negócios estrangeiros, concluiu que era melhor tê-lo dentro do partido do que fora.

Independentes criam nova bancada
O emaranho criado à volta da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), com a expulsão do seu líder Abel Chivukuvuku, afectou, como era de esperar, a sua representatividade na Assembleia Nacional que, com a saída de oito deputados, passa a ter igual número.

Os deputados independentes deixam, por isso, de seguir a tendência do voto da coligação, fragilizando-a, mas continuam no parlamento até ao fim da presente legislatura. Com este cenário a Assembleia Nacional passa a ter sete forças políticas. Falta saber qual será a linha ideológica dos independentes às ordens de Chivukuvuku.

Sabe-se, para já, que Tribunal Constitucional, apontado por analistas como o responsável pela destruição da CASA-CE, terá uma palavra a dizer, a começar pela legitimidade da destituição de Abel Chivukuvuku da liderança da coligação, que se constituiu na terceira força política, depois da sua criação em 2012.

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