Jonas Savimbi suicidou – se ou morreu em combate?

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A morte de Jonas Savimbi permanece num enigma contraditório. A afirmação oficial sobre sua morte, dá conta do tombar em combate do líder histórico da UNITA ao 22 de Fevereiro de 2002. Há muito que Savimbi havia abandonado Bailundo e Andulo, seus últimos bastiões militares, andavam à deriva, cambaleante, em fuga rumo à Jamba, pós – se na floresta do Moxico, lá onde terá começado o seu projecto de guerrilha e de política, sendo seguido por uma dúzia de acólitos servidores, porque os demais o tinham deixado só.

Por joão Henrique Hungulo

Essa afirmação dá conta de que após uma ofensiva de Comandos Savimbi, terá sido atingido à tiros, na região unilateral do tórax, como terá revelado Ilídio um dos militares das FAA, de que junto ao Lucussi se terá dado contas da existência de um mais velho, de grande porte físico, junto à uma tenda, Ilídio afirma que hesitou ao achar que não se tratava de ser a pessoa à procurar, como terá afirmado “Eu aqui, comecei a andar de vagar, vi um mais velho grande numa tenda, até pensei que não é ele, quando cheguei aqui parei e lhe mirei, ele caiu […]”. Essa é a primeira afirmação, segundo a qual o líder da UNITA terá sido morto em combate, e achado só. As objecções dessa afirmação são variadas, como se terá achado um líder que por sinal era o mais importante no círculo do seu partido só? E em plena mata fechada? Onde estavam os seus súbditos? Uns dizem que andava no círculo de 13 soldados, outros dizem que andava no círculo de 30 soldados, outros ainda menos, porém, Ilídio afirma o ter encontrado só, essa é a primeira evidência contraditória, sobre a morte de Jonas Savimbi. Se de facto, fosse uma morte em combate haveria troca de tiros entre os súbditos de Savimbi e Ilídio, porém, pela ironia do destino, Savimbi estava só, segundo as palavras de Ilídio, sabe – se que, após a chegada da paz, centenas de militares afluíram às cidades, os quais faziam parte do exército de Savimbi, fica aqui uma verdade que carece de elementos de lógica, em virtude de não nos parecer que Savimbi terá permanecido só nos últimos dias, a verdade é que terá permanecido no círculo de uma dúzia e meia de soldados.

O segundo fenómeno contraditório, afirma que, Savimbi não terá sido morto em combate, segundo o qual, Savimbi terá morrido na tarde do dia 22 de Fevereiro de 2002, nas proximidades de Cassamba, localidade adjacente ao Luvuei, um dos três afluentes do rio Lungue-Bungo, essa evidência dá conta do fenómeno segundo o qual, naquele dia Savimbi preparava-se para ir a margem esquerda do rio Luio, na ex-Zona Belo Horizonte (Moxico), ao encontro da base do general Njolela Gomes Jorge vulgo “Big Jó”. Na manhã daquele dia por volta das 7 da manhã, escutaram-se disparos contra a base do general “Big Jó”. Assim sendo, Jonas Savimbi e o seu grupo integrado por 13 elementos mudaram de rumo após terem orientado um soldado da coluna presidencial a efectuar patrulha para terem melhor percepção do que se estava a passar naquela zona. No período de tarde, perto das 15 horas, a coluna presidencial de Jonas Savimbi decidiu entrar para uma mata cerrada para acampar uma vez que estava a chuviscar naquele momento. No momento em que estavam acampados, Savimbi descalçou as botas e estava a tomar chá de mel, quando um jovem da sua coluna, que teria ido fazer “necessidades maiores”, regressou assustado avisando que viu a virem em direcção da coluna presidencial, um grupo de militares trajados com uniformes das FAA, guiados pelo soldado X, ex-integrante da coluna presidencial que estava desaparecido desde o dia 4 de Fevereiro daquele ano. O grupo que estava a ser guiado pelo soldado X, (nome propositadamente ocultado), ajudou a seguir os rastos do “velho”, através das marcas das botas de fabrico francês com um piso especifico que o líder guerrilheiro usava. Quando as FAA aproximaram-se da tenda dos guerrilheiros, fizeram o primeiro disparo contra Jonas Savimbi, atingindo na lateral do peito. Durante aquela alvoraça, um dos elementos da sua guarda que estava a jogar xadrez, a um certo metro de distância, se puseram em fuga, essa terá sido a segunda afirmação contraditória, em torno da morte de Jonas Savimbi, há aqui perplexidades nesta evidência, como pode alguém que está a ser perseguido à pôr – se à descansar? Como pode alguém que está a ser perseguido os seus seguidores à porem – se à jogar xadrez? Será que um homem numa intensa aflição irá jogar xadrez ou cartas uma vez que já o avisaram de que às redondezas andava um batalhão das FAA? Parece uma verdade forjada, não há verdade de jure e de facto, nesta afirmação, na primeira encontramos erros de lógica, na segunda também, Ilídio elucida que terá encontrado Savimbi ao lado de uma tenda, mas diz que encontrou – lhe só, essa afirmação carece de elementos de verdade.

A terceira versão sobre a morte de Jonas Savimbi, é também contraditória, a mesma, diz que Jonas Savimbi, ao 22 de Fevereiro, terá se surpreendido com um acto sombrio que terá posto em risco a sua vida, neste prisma, naquele dia, arrolaram – se pelejas enérgicas entre as forças da UNITA e das FAA nas margens do Rio Luio, tendo no entanto, o seu terceiro anel de segurança se constituído na parte integrante do combate que marcou aquele dia, neste intenso combate, um de seus generais cognominado Njolela Diamantino George “Big Jó” que tinha a fama de ser o mestre dos explosivos das FALA fora atingido excessivamente, tendo dado o seu último suspiro. Face a morte deste General, as FAA terá seguido à diante dando por cisão o anel de segurança presidencial que se prosseguia, onde também se encontrava introduzido um brigadeiro denominado José Mbule, tendo sido atingido mortalmente. Segundo essa narrativa, a coluna de Jonas Savimbi, ficou desde então, exposta ao perigo, em virtude do seu círculo de segurança ter sido desmoronado à diante, ficando apenas o efectivo de protecção directa, na circunscrição do líder. Estava isento de algum aparato de comunicação sofisticado, tendo às mãos, o único meio para comunicar denominado de radio terra-ar. Todavia, dada situação de debilidade, ao longo do meio-dia, um agrupamento bélico composto por cerca de 13 indivíduos que faziam o último anel de segurança de Jonas Savimbi terá marchado ao longo de uma campina, e, pôs – se à cruzar uma chana, tendo sido surpreendido por um robô de reconhecimento aéreo do Governo angolano no mesmo local. Neste mesmo local, ficaram as marcas no chão a sola das botas das forças da UNITA, que terá colocado em perigo o círculo de segurança de Savimbi. Todavia, a bota de fabrico francês, de que Savimbi usava, era a que serviu para o identificar. Savimbi, terá ordenado à dois elementos entre os quais o coronel “Quim” para perceber o que ocorria do outro lado do rio. Este último, não terá dado à posteriori nenhum sinal de vida, ficou tomado pelo silêncio e colocou – se em fuga. Dada situação, foram tomados por um céu nebuloso, dai caíu chuva, neste âmbito, a coluna ter – se – á posto à acampar no interior de uma campina cerrada. Todavia, as 15 horas, Savimbi ter – se – á movido à atender a solicitação do General “Numa” que se incidia no carregamento de baterias do rádio com intuito de ouvir relatos do Sporting, neste mesmo instante, Savimbi ficou surpreendido pelos soldados das FAA no local em que se punha a acampar, tendo no entanto as FAA solicitado que ninguém se pusesse em fuga. Todavia, Savimbi se terá levantado de imediato, neste âmbito, foi atingido mortalmente com sete balas (na garganta, cabeça, tronco, pernas e braços, e ect).

A última afirmação sobre sua morte, traz evidências contrárias as duas anteriores, segundo esta afirmação, Jonas Savimbi na última Conferência Ordinária de seu Partido terá afirmado que as coisas estavam sob o auge do fim, e que a UNITA tinha poucas hipóteses de aguentar, estava sob grande perigo, e que, sua vida estava ao fim, terá dito que não aceitaria ser morto por ninguém, segundo, não iria se entregar, em terceiro, iria se suicidar, uma testemunha explica que Savimbi se terá suicidado dois dias antes das FAA terem alcançado o local onde albergava Savimbi, terá ordenado a três soldados de sua guarda, um se dirigia ao norte, o segundo se dirigia ao sul, o terceiro se dirigia ao leste da floresta do Lucussi, e, ordenou que um tinha de atestar o machado sobre o caule de uma árvore de grande tamanho, os dois teriam de fazer disparos simultâneos no ar, e, ele se teria suicidado no tumulto de vozes de armas e do som do machado contra o caule da árvore. A autópsia que terá sido realizada pelo Professor Dr. Adão Sebastião (médico legista), discorda em sua pessoa de que terá morrido em combate, confirmado no laudo de autópsia uma morte por suicídio, ficando assim a morte de Jonas Savimbi nas vozes contrárias, faltando uma explanação de facto, sobre a realidade que deu rumo ao fim de Jonas Savimbi, morto em combate ou suscídio? Ao que tudo nos parece, e, o que a autópsia confirmou, Savimbi suscidou – se dois dias antes das FAA terem atingido o Lucussi. As características cirúrgicas da entrada da bala, sobretudo do local anatómico não fala à favor de morte em combate, o local de entrada do primeiro disparo situa – se na região infero – mandibular, a baixo do ângulo da mandíbula. Neste lugar não há probabilidades de disparos à distância ou face à face, os tiro dados no peito foram efectuados num cadáver e não num homem em vida.

A balística remetida à natureza da morte de Savimbi dá conta de movimentos de projecteis à proximidade, devido ao comportamento do projéctil e as características semiológicas da ferida operatória, bem como a anatomia da lesão cirúrgica: à baixo da protuberância mentoniana. Como seria possível morrer em frente de combate com um tiro à baixo do queixo e em face central? Se fosse em face lateral haveria evidências para tal natureza, porém, fala – se de uma bala em face central, e, não lateral. O comportamento do projectil no meio anatómico, a trajectória, impacto, marcas, explosão, não vão de encontro às explicações dadas segundo as quais Savimbi morreu em combate, dão evidência de suicídio, de facto. Jonas Savimbi dirigiu o seu percurso in tam praecipiti tempore [em circunstâncias tão críticas], até ter encontrado o seu fim último, ficou completamente bloqueado no Lucusse, não teve hipótese de alcançar a Zâmbia, colocou – se numa armadilha que ditou o seu próprio fim, como dizem os espahóis “Quien a hierro mata, a hierro muere” [Quem com ferro mata, com ferro morre].

BEM – HAJA!

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