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Os dramáticos últimos dias de Savimbi

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Os últimos dias de Jonas Savimbi, líder da UNITA morto em combate em 22 de Fevereiro de 2002, “foram dramáticos”, como o recordou, em declarações à Agência Lusa, o líder parlamentar da UNITA, Alcides Sakala.

Quando Savimbi morreu, Sakala seguia a pé ao seu encontro, e não se encontrava muito longe do local da reunião.

“Estávamos muito próximos do doutor Savimbi, nas margens do rio Luconha, um afluente do rio Lungue-Bungo, a cerca de dois dias de caminhada”, contou.

Com Sakala, seguiam na coluna os generais Lukamba Gato, então secretário-geral da UNITA, Marcial Dachala, secretário para a Informação, Jovem Blanche, responsável dos quadros, além dos generais Vituji e Calulo, da segurança pessoal de Savimbi.

“Depois, o cerco apertou-se e tudo se tornou complicado para nós quando depois soubemos da morte do velho Jonas”, lembrou Alcides Sakala.

Face às especulações que ainda hoje rodeiam a morte de Savimbi, Sakala garantiu à Lusa que o líder da UNITA morreu mesmo em combate.

“O doutor Jonas Savimbi não se suicidou, morreu em combate, embora existisse o sinal de uma bala no pescoço como se de um suicídio se tratasse”, explicou.

“Aquele sinal de bala no pescoço foi um tiro de misericórdia dado por um militar das Forças Armadas Angolanas (FAA)”, acrescentou.

Sakala disse que a morte de Jonas Savimbi não pararia por si a guerra em Angola e que foram necessárias negociações entre o governo angolano e os principais líderes da UNITA para levar a paz ao país.

“Se a luta tivesse continuado, todos nós (dirigentes) teríamos morrido no Moxico, mas a guerra continuaria em Angola, porque havia ainda algumas bolsas de guerrilheiros armados da UNITA, bem organizadas, quer no norte, quer no sul do país”, explicou o deputado.

Segundo Alcides Sakala, o governo angolano e a direcção da UNITA reflectiram sobre a situação do país e optaram pelas negociações, que culminaram na assinatura do Memorando de Entendimento de Luena, e, mais tarde, no cessar-fogo definitivo e na instauração da paz em Angola.

Um dos mistérios que rodeiam a morte de Savimbi prende-se com o tão falado dinheiro do líder da UNITA, que Sakala, no entanto, garantiu não existir.

“Se o doutor Savimbi tivesse dinheiro, os seus filhos, que agora estudam em Paris, não estariam a passar por imensas dificuldades”, exemplificou.

Segundo o ex-secretário das Relações Exteriores da UNITA, o movimento tinha algumas reservas financeiras no país que, porém, eram difíceis de transferir para o estrangeiro devido às sanções impostas pelas Nações Unidas.

“Falou-se de uma mala do doutor Savimbi, que andava com o seu oficial de campo e que foi capturada durante a ofensiva militar governamental”, recordou Sakala.

Uma mala que nunca mais ninguém viu.

O general Uala, actualmente destacado em Cabinda, foi quem comandou a ofensiva das FAA que culminou com a morte de Jonas Savimbi.

Contactado pela Agência Lusa, o general escusou-se a falar dessa missão e a relembrar factos que, disse, não se coadunam com a “reconciliação nacional que Angola está a viver”.

“Não interessa hoje levantar ânimos. O que importa é caminhar para a frente no espírito da reconciliação nacional”, frisou o general Uala.

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