Violentos combates às portas de Tripoli

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Violentos confrontos opunham, ontem de manhã, uma coligação de grupos armados leais ao Governo de União Nacional às forças do Exército Nacional Líbio, de Khalifa Haftar, cerca de 50 quilómetros a sul da capital líbia, indicaram as duas partes, citadas pela Reuters.

Segundo uma fonte de segurança do Governo de União Nacional, os combates decorrem nas regiões de Soug al-Khamis, al-Saeh e Soug al-Sabt, a sul de Trípoli, uma zona essencialmente de explorações agrícolas.
Trata-se dos primeiros combates significativos entre as duas partes desde a instalação do Governo de União Nacional na capital líbia, no final de Março de 2016.
Até agora, o marechal Haftar e o líder do GNA, Fayez al-Sarraj, evitaram um confronto directo, apesar da tensão política e militar entre os dois campos rivais.
Os dois dirigentes chegaram mesmo a encontrar-se, no fim de Fevereiro, em Abu Dhabi, sob a égide da ONU, e concluíram um acordo sobre a realização de eleições antes do fim deste ano.
A Organização Não-Governamental Human Rights Watch (HRW) apelou on-tem às forças em combates em torno da capital, para que tomem as medidas necessárias para minimizar danos civis e respeitar as leis de guerra.
A ONG, em comunicado , afirma que os combatentes liderados pelo general Khalifa Haftar, conhecido como o Exército Nacional da Líbia (LNA), têm um “histórico bem documentado de ataques indiscriminados contra civis, execuções sumárias de combatentes capturados e detenções arbitrárias” e que as milícias afiliadas ao Governo do Acordo Nacional (GNA), apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e com sede no oeste da Líbia, “também têm um histórico de abusos”.
“Sempre que as forças armadas rivais se chocam são os civis que mais sofrem”, afirma no comunicado a directora da ONG, Sarah Leah Whitson, para explicar que “todos os lados precisam de respeitar” as leis da guerra e “minimizar os danos” a cidadãos civis.

ONU mantém conferência

O enviado das Nações Unidas à Líbia, Ghassan Salamé, afirmou ontem que a conferência prevista em Abril no país será mantida, apesar dos combates desencadeados em torno da capital.
“Estamos determinados a organizar” a conferência “na data prevista”, entre 14 e 16 de Abril, “a menos que circunstâncias maiores” o impeça, declarou Ghassan Salamé numa conferência de imprensa em Tripoli.
A conferência terá como objectivo abrir caminho para uma possível solução política e tentar definir uma data para a realização de eleições parlamentares e presidenciais na Líbia.
No final desta semana, as forças leais ao marechal Khalifa Haftar, que controla o leste do país, lançaram uma ofensiva para tentar tomar Tripoli.
A conferência a ser realizada sob a égide da ONU, em Ghadames, no oeste da Líbia, tem como um dos objectivos elaborar um “roteiro” para retirar o país do caos e da crise política e económica em que está desde a queda de Muammar Kadhafi em 2011.
“As Nações Unidas continuarão do lado do povo líbio e vamos continuar a trabalhar para garantir o sucesso do processo político”, acrescentou Ghassan Salame.
O Secretário-geral da ONU, António Guterres, terminou na sexta-feira uma visita à Líbia, afirmando que deixou o país com “o coração pesa-do e uma profunda preocupação”. “Deixo a Líbia com uma profunda preocupação e o coração pesado”, afirmou Guterres pouco depois de um encontro com o marechal Khalifa.

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